A epígrafe de:

John Mateer, Emptiness - asian poems 1998-2012,
Fremantle, Fremantle Press, 2014

Inês Dias, “Downtown train” (08/014) / “Watch her disappear” (07/014)

ALBERT CAMUS
in Cadernos II, Lisboa: Livros do Brasil, s/d

Devant l’océan
sous la falaise
sur la paroi de granit

ces mains

ouvertes

[…]


- MARGUERITE DURAS

[Fotografia: Inês Dias, Azenhas do Mar 014]

[…]

que idade tinhas
quando a primeira árvore
te disse para subires?

- EMANUEL JORGE BOTELHO

[Fotografia: André Kertész, 1979]

[…]

que idade tinhas
quando a primeira árvore
te disse para subires?

- EMANUEL JORGE BOTELHO

[Fotografia: André Kertész, 1979]

Inês Dias / Lisboa, 22/02/12 - 05/03/12

ANUNCIAÇÃO


Não tenho palavras, nem entendo
formas visíveis.
Elas vêm concretas como aragem
a que dou nome.

Tenho-me, eis tudo. Acontece.
Há uma folha que desce,
que sobrenada, que desce,
que submerge no ar e depois desce
longe de mim no ar fundo.

Nós não somos deste mundo.

Fresca e limpa como a chuva,
ouço a tua voz cantada
descer do céu ao silêncio
que vem da terra molhada.

Nós não somos deste mundo.

Ouso dizer-te o meu nome
como quem se atreve a dar-te
a minha imagem.

Nós não somos deste mundo.

O que não vejo, entendo.
Pelos rios do meu sangue,
atrevo-me.

Anoitecendo, a vida recomeça.

Dou-me em palavras
que ressuscitam.
Algures no céu amanhece.

Só, intranquilo, pela vereda, desce
o nómada meu amigo.


- RUY CINATTI
in “A Antologia em 2009”, Telhados de Vidro n.º 12,
Lisboa: Averno, Maio de 2009

[Fotografia: Inês Dias, Ponta Delgada / 2011]