peelsofpoetry:

Happiness
by Raymond Carver

So early it’s still almost dark out.
I’m near the window with coffee,
and the usual early morning stuff
that passes for thought.

When I see the boy and his friend
walking up the road
to deliver the newspaper.

They wear caps and sweaters,
and one boy has a bag over his shoulder.
They are so happy
they aren’t saying anything, these boys.

I think if they could, they would take
each other’s arm.
It’s early in the morning,
and they are doing this thing together.

They come on, slowly.
The sky is taking on light,
though the moon still hangs pale over the water.

Such beauty that for a minute
death and ambition, even love,
doesn’t enter into this.

Happiness. It comes on
unexpectedly. And goes beyond, really,
any early morning talk about it.

historicaltimes:

This is Trench Warfare. Photo taken by an official British Photographer during WWI, c.1917

(via beautifulcentury)

UMA ESPÉCIE DE PERDA

Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.

Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, por uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
Idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,

( - o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um apontamento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.


De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.

Não te perdi a ti,
perdi o mundo.


- Ingeborg Bachmann, O Tempo Aprazado,
trad. Judite Berkemeier e João Barrento,
Lisboa: Assírio & Alvim, 1992

“[…] Por entre a frincha larga das portadas havia sempre um resto de luz a invadir a penumbra e a expor as arestas das coisas. […]”
— Alexandre Sarrazola, Neófitos,
com fotografias de Mafalda Capela, Lisboa: Averno, 2014
allthingslostonearth:

Copyright ©ATLOE (All Things Lost on Earth) 

allthingslostonearth:

Copyright ©ATLOE (All Things Lost on Earth) 

fliegender:

Unknown photographer, High-Wire Circus Artists at Heumarkt, Cologne, 1946. Via

Lívio olha fixamente na direcção de Mónica. Imaginemos um soneto canónico em que um dos versos tem mais quatro ou cinco silabas que os restantes. Sucede o mesmo com este plano, que colocado nas mãos de qualquer montador de qualquer parte do mundo ficaria com uma boa meia dúzia de segundos a menos. Eu penso, todavia, que é preciso querer errar para que se acerte absolutamente.


- João César Monteiro, “Quem espera por sapatos de defunto morre descalço”, in Obra Escrita 1, Lisboa: Letra Livre, 2014

Lívio olha fixamente na direcção de Mónica. Imaginemos um soneto canónico em que um dos versos tem mais quatro ou cinco silabas que os restantes. Sucede o mesmo com este plano, que colocado nas mãos de qualquer montador de qualquer parte do mundo ficaria com uma boa meia dúzia de segundos a menos. Eu penso, todavia, que é preciso querer errar para que se acerte absolutamente.


- João César Monteiro, “Quem espera por sapatos de defunto morre descalço”, in Obra Escrita 1, Lisboa: Letra Livre, 2014

"O que nos acontece é o que sucede dentro."

- JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE

[Fotografia: Inês Dias, Julho 013]

Inês Dias, ‘À procura de Hopper em Lisboa’, 2013

"It’s the end of the world as we know it
(and I feel fine)”

[Inês Dias, Setembro 013 - Abril 014]